ARKIS

Arkis: Underdogs - Capítulo 03

Living Weapons!

You’ll take my life but I’ll take yours too
You’ll fire your musket but I’ll run you through
So when you’re waiting for the next attack
You’d better stand there’s no turning back.

The Bugle sounds and the charge begins
But on this battlefield no one wins
The smell of acrid smoke and horses breath
As I plunge on into certain death.

The horse he sweats with fear we break to run
The mighty roar of the Russian guns
And as we race towards the human wall
The screams of pain as my comrades fall.

We hurdle bodies that lay on the ground
And the Russians fire another round
We get so near yet so far away
We won’t live to fight another day.

We get so close near enough to fight
When a Russian gets me in his sights
He pulls the trigger and I feel the blow
A burst of rounds take my horse below.

And as I lay there gazing at the sky
My body’s numb and my throat is dry
And as I lay forgotten and alone
Without a tear I draw my parting groan.

- The Trooper, Iron Maiden

O treinamento era intenso, e Neal nunca havia encontrado um professor que o levasse tanto ao limite. Pattmah treinava incansavelmente, de artes marciais a meditação, passando por treinos para reforçar as defesas mentais e conhecimentos sobre vários tipos de poder e seres. Um dia e meio pareciam semanas.
Não saía de sua cabeça uma conversa que tivera com seu professor/aluno, que remetia a algo que Mortuary lhe dissera. Eles debatiam como era possível que Neal estivesse com a idade que tinha, se sua encarnação anterior, Pax Suprema, morrera havia cerca de quatro, cinco anos. Como era possível que duas encarnações da mesma pessoa tivessem convivido. Neal não tinha respostas, nem Onyx, mas suspeitava que Wishing Joe tivesse alguma relação com isso, de acordo com o que Mortuary insinuara.
O telefone de Neal tocou. Era um colega de colégio, Erik, e ele parecia bastante ansioso e animado. Disse que tinha algo para lhe contar, algo que descobrira recentemente. Algo inacreditável.
Erik era, talvez, o melhor amigo de Neal. Enquanto Neal era o dono do plano, Erik era o cara da ação. Atlético, carismático, Erik era um líder nato. Neal sempre o vira como uma peça fundamental em seu plano, mesmo sem entender bem o porquê. Erik, sua intuição lhe dizia, seria alguém que lideraria muitos para o objetivo final do “Plano”: proteger o mundo. Juntos, Neal, Erik, e Alex, um outro amigo deles, mais novo, que morava no Hawai, costumavam dizer que eram os futuros guardiões da Terra.
Os dois combinaram de se encontrar no parque à margem do Lago, ao lado do memorial aos heróis caídos. Mas antes disso, Neal iria investigar o laboratório que Alek Rannen lhes indicara. Christopher não poderia ir com ele, pois tinha outra missão a cumprir, segundo lhe dissera, mas Shadow e Bleach haviam combinado de seguir a investigação.
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Keperos varou a noite e o dia seguinte realizando testes e exames com amostras de sangue que colhera de Hellen, sob o olhar apreensivo de Nina e Scheherazade. Ao fim, deu um veredicto. Hellen era o que ele chamava de “filha dos deuses”, descendente, em algum grau, de seres como Zeus ou Ares, que hoje a imprensa chamava de arkeontes. Isso por si só já lhe concedia capacidades sobre-humanas de resistência e agilidade, mas aparentemente alguém tentara fundir sua essência com algum tipo de demônio extradimensional. Isso havia feito com que seu corpo reagisse, e a transformação monstruosa era uma tentativa de seu corpo equilibrar isso.
Hellen ficou nervosa com a revelação. Ela lembrava que todos em sua unidade especial tinham algum tipo de dom, ela própria sempre tivera agilidade e capacidade de recuperação física sobre-humanas, e se perguntava se eram todos “filhos dos deuses”, como ela. Keperos lhe deu um preparado para ajuda-la a se aclamar e dormir um pouco, para evitar uma nova crise.
A noite avançava e, algum tempo depois, perceberam uma movimentação no museu. Um homem de traços ferais entrava, claramente em busca de algo. Farejando o ambiente, ele seguiu com agilidade na direção do depósito onde Hellen repousava e Keperos ainda a examinava. Scheherazade hesitou em agir para não revelar seus poderes, e Nina tentou se interpor em seu caminho, apenas para ser afastada com um golpe. Quando o homem-fera estendeu suas garras e partiu na direção da jovem árabe, esta pensou que seu segredo estaria perdido, apenas para ver o monstruoso atacante ser abatido por um certeiro disparo na cabeça.
Scheherazade reconheceu Chacal, quando este se revelou, como o homem que elas haviam despistado no metrô. Ele explicou que seu nome era Robert, e que ele era um amigo de Hellen, que ele imaginava morta até ver o local dos experimentos. Explicou ainda que a criatura que eles haviam enfrentado, e o homúnculo do metrô, eram “crias” de Garrison Shiff, antigo major deles, que os havia traído e emboscado. Ele tinha o poder de criar alguns tipos de “cópias” de si, cada uma com uma função específica: um pequeno espião, um feroz rastreador, entre outros tipos. Explicou que, após ver o homúnculo no dia anterior, ele começara a investigar a presença do major na cidade, e seguira o rastro da pequena criatura até um edifício no centro da cidade, de onde vira o “sósia-caçador” saindo e o seguira.
Nina então falou sobre as descobertas de Keperos, ao que eles concordaram ser mais que uma simples coincidência tantas pessoas com poderes especiais designadas para uma mesma tropa. A muito custo, Robert aceitou se submeter a um teste, desde que todo o material usado fosse imediatamente destruído depois – o seu e o de Hellen. Ele imaginava que, “mortos”, seria mais fácil eles continuarem investigando o que acontecera com sua unidade. Decidiram também fazer o mesmo exame no “sósia-caçador”, cujo corpo começava a deteriorar (Robert dissera que esses duplos duravam pouco tempo), raciocinando que ele poderia conter algo do DNA do original.
Quando Keperos anunciou o resultado, Robert não pôde conter o espanto: os três compartilhavam uma grande similaridade de DNA, como se fossem irmãos. De fato, Keperos acrescentara, o nível exato de semelhanças e diferenças seria possível somente se eles fossem meio-irmãos.
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Yokozuna estava em casa, imaginando que novas informações os demais teriam conseguido, quando bate à sua porta Ironpunch. Ainda bastante ferido pelo combate contra a criatura, e com o braço biônico totalmente desmantelado, ele explicou que agora era um fugitivo, suspeito pela morte do policial que o monstro assassinara. Não tendo para onde ir, e sendo Yokozuna uma personalidade de endereço conhecido, Ironpunch pensara em pedir sua ajuda, já que ele estivera lá, e poderia testemunhar a seu favor.
Akebono já sabia da fuga, e sentiu que precisava ajuda-lo, até mesmo porque ele só fora preso porque eles o haviam deixado no local da batalha. Assim, enquanto Ironpunch telefonava para o cientista que desenvolvera seu braço biônico, para que ele pudesse consertá-lo, Yokozuna entrou em contato com seus advogados. Alguém precisaria representar aquele homem adequadamente num tribunal.
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Shadow, Bleach, e Golden Boy adentraram o local indicado por Alek Rannen, encontrando outro laboratório vazio. Experimentos com membros biônicos haviam sido feitas ali, e Shadow percebeu que o local em muito se parecia com o centro do exército onde ele próprio havia sido reconstruído.
Investigando nos computadores, Bleach recuperou dados apagados que apontavam para o que seria uma central de pesquisas, situada na West Virginia. Havia também referências a um “Projeto Alex”.
O que eles leram a seguir deixou Shadow sem reação. O tal projeto consistia em arranjar acidentes e atentados para atingirem policiais que fossem avaliados como aptos ao projeto. Lhes seria, então, dada a opção de uma reconstrução biônica, e eles se tornariam policiais ciborgues, mais eficientes e mais suscetíveis de serem controlados e manipulados.
Os relatos informavam que o “primeiro protótipo” havia sido um sucesso de recuperação e atuação, e que os testes com Alek Rannen demonstravam que a ampliação das capacidades biônicas era possível e interagiria bem com eventuais dons meta-humanos.
“Primeiro protótipo”. Shadow revia os detalhes de como fora o atentado que o ferira. “Tudo uma armação?!”
Algo, então, se ativou em sua mente. Como se tivesse sido lançado para o “banco do carona”, Shadow apenas assistiu enquanto seu corpo, manipulado por um comando externo, atacou os demais.
Ao mesmo tempo, sistemas de defesas até então escondidos no laboratório começavam a disparar, compensando sua desvantagem numérica. Encurralados, Golden Boy e Bleach imaginavam como deter o controlado Shadow, idealmente sem ter de mata-lo.
E então, um disparo.
Eles haviam chegado pouco depois dos demais ao local, seguindo a pista de onde o caçador partira. Haviam ficado escondidos a maior parte do tempo, e haviam escutado quando a descrição falara de um chip de controle. E ele tentara uma manobra que ainda não havia usado antes.
A bala voou com precisão. Sua visão extraordinária podia, entre outras coisas, enxergar através de uma certa espessura de materiais. Assim, ele pôde localizar onde o chip de controle estava. E o tiro fora perfeito. Talvez o melhor tiro da vida de Chacal até então.
A bala entrou e saiu da base da nuca de Shadow apenas o suficiente para resvalar no chip. Apenas o suficiente para inutilizar o dispositivo sem fazer maiores danos. Um tiro de assassino perfeito para salvar uma vida.
A desativação do chip e o impacto do tiro desacordaram Shadow. Com ele fora de ação, Bleach concentrou seu poder na sua arma dimensional, e uma rajada de energia inutilizou os sistemas de segurança sem a preocupação de atingir seu aliado no processo.
Acompanhado de Nina, Chacal adentrou o recinto, sendo reconhecido por Bleach como o atirador da outra noite. Scheherazade ficara cuidando de Hellen. Eles seguiram pesquisando e, conhecendo algumas palavras chave, Chacal acabou por localizar dados que apontavam que o que ocorrera com sua unidade era parte de outra experiência, ainda mais secreta. Alguns documentos apontavam para um projeto chamado “Inheritors of War”, do qual não havia muita informação disponível, mas apontava para os nomes, sem referências adicionais, de Robert Dwight, Hellen Powrath, Alek Rannen, Garrison Shiff e Jeremy Amshock: todos membros de sua unidade, todos soldados excelentes e que tinham algum tipo de talento especial.
O próprio documento indicava que parte da tecnologia do “Projeto Alex” houvera sido utilizada na reconstrução de Alek Rannen, para amplificar seus poderes eletromagnéticos de adesão a superfícies e agilidade, bem como para usá-lo como um disseminador de caos através do chip de controle.
Com alguns dados e pistas sobre outras localizações a pesquisar – e muito a pensar, no caso de Chacal – eles se separaram, combinando de prosseguir com as investigações. Bleach ajudou Shadow a seguir até sua casa, onde ele poderia dar algum tratamento a seu ferimento.
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Neal encontrou com Erik ao lado do memorial aos heróis caídos. A estátua de Thrust, um heróis de Chicago que fora o fundador e líder dos Speeders e que morrera na defesa das Torres Gêmeas, em Nova York, impedindo um atentado de proporções catastróficas para a época, era o marco fundamental do parque à beira do lago.
Erik contou, muito entusiasmado, que descobrira coisas incríveis sobre si mesmo e sua família. Contou que sua avó lhe revelara que o nome de seu avô, já morto, Modison, advinha de uma lenda familiar de que eles eram descendentes do deus da fúria Modi, filho de Thor.
Contou que descobrira que ele tinha poderes, e que a avó revelara que seu avô também os tinha. Seus pais já sabiam disso, sua mãe porque sempre conhecera o segredo do pai, e seu pai porque fora salvo por seu avô ainda na juventude – dando origem à admiração que sempre teve pelo sogro e que o levou a homenageá-lo no nome do filho.
Contou que seus poderes eram os mesmos do avô, de se propelir a altas velocidades, ampliando no processo sua força e resistência. No fundo, ele percebera, esses poderes eram parte de algo mais amplo, uma capacidade de exercer certo controle sobre os efeitos da gravidade.
Revelou, por fim, que decidira passar a agir como herói, adotando um uniforme igual ao de seu avô, assim como o codinome que ele usara: Thrust.

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