ARKIS

Arkis: Underdogs - Capítulo 04

Inheritors of War

Each one of us, alone, is but a drop in the sea
Our powers pale compared with the great heroes
Our battles don’t hit the headlines or shake the earth
But they are few, can’t be everywhere, and we are many
So, when the world, the universe needs saving, they appear
But when people needs saving, we are the ones who will come
We are underdogs, I know, but we rise up to the challenge of being heroes.

(Wishing Joe, in an interview)

Chicago, 18 de abril de 2032, poucas horas após o sacrifício de Prometheus

Neelanami olhava novamente para o pequenino receptor que acabara de se desligar após transmitir sua mensagem. Não bastasse estar ainda se recuperando após processar memórias de duas realidades divergentes, além de tudo o que descobrira sobre sua própria existência durante o breve lapso de instantes em que esteve num entremundos, outra reviravolta se lançava a seus pés, aumentando ainda mais sua responsabilidade.
Ele era o último herdeiro da linhagem espiritual dos Budas. E deveria agora também assumir a posição de herdeiro do legado intelectual de Willian Mnemosyn VI, Prometheus, uma das maiores mentes que a humanidade já produzira. A gravação fora bem clara:
“Quem estiver assistindo a essa gravação, esse transmissor deve ter chegado a você através de Pax Suprema. Como você saberá em detalhes em breve, eu venho, nos últimos anos, enfrentando uma doença incurável, e o fato de essa gravação se ativar significa que minha morte chegou enfim.
Assim, se meu tempo já passou, eu devo encontrar uma forma de que meu conhecimento não se perca. Junto a meu leal amigo, o Professor Fernando Oliveira, desenvolvemos um sistema, que foi implantado em meu cérebro, que vem armazenando meus conhecimentos, para que possam ser passados adiante para alguém capaz de usá-los para o bem.
Nós também temos tido o cuidado de estabelecer algumas pequenas bases secretas, onde eu tenho armazenado meus projetos mais sensíveis, para que você, como meu sucessor, possa estuda-los e dar continuidade ao que for necessário. Não é um caminho fácil aquele ao qual eu lhe convido. Uma grande dose de desprendimento será necessária, bem como coragem, pois o procedimento tem um alto risco. Eu confio que Pax Suprema escolheu alguém que será tanto capaz de enfrentar o processo, mas por em bom uso tudo o que eu levei uma vida aprendendo.”
A mensagem concluía instruindo-o a procurar o Professor Fernando Oliveira no Brasil, para iniciar o processo de aprendizado e transferência.
Neal começava a ver quantas esperanças eram depositadas nele e se preocupava – ele tinha muito pouco tempo para tornar-se o Buda que esse mundo precisava. Ele sabia que algo gigantesco estava por vir e sabia que seria breve. Conseguiria estar pronto a tempo?
Ele desceu as escadas e se dirigiu para a porta – Pattmah retornara e dissera que havia algo a lhe mostrar, algo que trouxera de sua viagem. Na passagem pela sala, deteve-se diante da TV. O noticiário local falava da recente sequência de ações heroicas do segundo Thrust, reacendendo nos cidadão de Chicago o orgulho por um de seus heróis mais ilustres. “Muito bem, Erik” ele pensou, “faça valer seu legado.”
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Chicago, 21 de abril de 2032

Na saída do tribunal, os repórteres o rodeavam, questionando seu envolvimento em tudo o que havia ocorrido.
“Eu sou apenas alguém que quer ver prevalecer a verdade. O Sr. Stappler fugiu, é verdade, mas apenas porque se viu sob acusações graves e sem ter como se defender. Felizmente, para reforçar meu depoimento a favor dele, nós conseguimos encontrar algumas câmeras de segurança na área, que mostram a criatura por trás do ocorrido, e tudo se encaminhou para um desfecho que não condena um homem que estava lá tão somente tentando ajudar.”
Yokozuna estava feliz naquele momento. Após a audiência, Ironpunch estava livre. Sua inocência fora provada, e eles já haviam conseguido contatar o Llewelin, o pesquisador que construíra seu braço biônico, e ele iria inicia a reconstrução logo.
Fazer a coisa certa lhe fazia sentir-se bem. Era como se sua vida ganhasse sentido quando fazia o bem, como se estivesse todo esse tempo esperando para proteger e ajudar, e não se importar somente consigo. Ele olhava no espelho e via outra pessoa, alguém que ele gostava de estar conhecendo. A vida lhe dera uma segunda chance, afinal.
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Chicago, 21 de abril de 2032

Nina estava apreensiva sobre aquela conversa. Arthur Parks, seu amigo e mentor, havia incentivado que o procurasse, mas ela se sentia invadindo uma vida que não lhe pertencia. Ainda assim, ela precisava de ajuda “de dentro do sistema”, se quisesse investigar mais sobre o NDMH e sobre os responsáveis por aquele experimento. Scheherazade havia voltado a sua vida como professora, e pago o pouco que tinha condições de pagar pelos seus serviços – ela tentara recusar, em vão – mas isso não significava que Nina não iria seguir investigando.
Nina teria que recorrer á única pessoa em que ela confiaria dentro da polícia, apesar de eles serem completos estranhos um para o outro: seu meio-irmão, James “Indomitable” Willians, filho de seu pai com a esposa dele. O constrangimento era ainda maior porque ela soubera que, pouco antes da morte de Dent Willians, a mãe de James se separara dele, motivado em grande parte pela descoberta do caso que tinha Nina como fruto.
James não foi amigável, mas não a expulsou sumariamente. Ele escutou o que ela lhe falou e, após um silencio que pareceu não acabar, disse que levantaria algumas informações e, quando tivesse algo, entraria em contato. Ele deixou claro que não gostava da ideia de trabalhar com ela ou o que ela representava na sua vida, mas ponderou que as vítimas daquela conspiração mereciam que ele deixasse aquilo de lado.
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Chicago, 22 de abril de 2032

Os pesadelos eram cada vez mais intensos. Uma força parecia estar atraindo-o, e ele muitas vezes sentia como se estivesse à beira de um abismo. Ele lembrava das palavras de Timothy, e, graças à interferência deste, lembrava vagamente da “outra vida”, nada além de alguns flashes sem grande relevância, como se fossem sonhos, e da imagem de uma mulher que ele não conhecia. Neil sentia que precisava encontra-la, e que talvez sua vida dependesse disso.
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Chicago, 28 de abril de 2032

Ele fizera alguns reparos básicos, o suficiente para manter seus equipamentos funcionando, mas sabia que os danos do tiro que levara certamente comprometeriam os sistemas em algum tempo se ele não tivesse como fazer um reparo apropriado.
Seus amigos no departamento de polícia não tinham muito como ajuda-lo, infelizmente. O NDMH sempre fora o responsável pela manutenção mais pesada, mas ele não poderia confiar neles mais, ainda que a estrutura não estivesse cada vez mais desmantelada.
Um ex-colega, James Willians, deu uma sugestão:
“Depois de toda essa confusão com os ataques a Washington e à Califórnia, há um grupo se formando, uma força de segurança que me parece mais uma Agência e menos um ‘supergrupo’. Não sei muitos detalhes, mas um pessoal me contatou, e me disseram que eles estavam procurando pessoas com bom histórico policial, e que experiência lidando com elementos meta-humanos poderia ser importante. Talvez eles possam ajudar você.”
Shadow se preocupava em se livrar de uma força manipulativa para acabar caindo nas mãos de outra, mas, por outro lado, ele sempre confiara nos instintos de James. Se ele achava que aquela “Agência” que tentava se organizar era digna de confiança, talvez valesse a tentativa.
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Chicago, 28 de abril de 2032

Hellen evoluía cada vez mais rápido. Com a ajuda de alguns preparados calmantes que Keperos fizera para ela, ela treinava dia após dia e já estava conseguindo cada vez maior controle sobre a transformação. Robert lera num jornal sobre a prisão do “falso Arsenal”, e reconhecera Alek Rannen, deduzindo, graças às informações que eles haviam reunido, que ele deveria estar de alguma forma sob o controle do manipulador que fizera isso tudo com eles. Eles precisavam libertá-lo de alguma forma, ainda que isso significasse ir contra a lei. Eles eram irmãos, afinal de contas.
Ele estava frustrado, porque eles sentiam como se estivessem num beco sem saída. Não conseguiam avançar na investigação sobre o NDMH. Também estava confuso, pelas vagas lembranças do entremundos, e os flashes da vida que tivera naquele mundo diferente. Pensava se algum dia a sensação de tranquilidade que as lembranças lhe passavam poderia realmente existir.
Foi então que ele apareceu: Jeremy Amshock, que eles apelidavam Stealth, o último de sua brigada citado nos documentos. Ele apareceu do nada, no apartamento onde eles estavam, e por muito pouco Hellen não avançou para cima dele. Com uma arma apontada para sua cabeça, Jeremy explicou que estivera algum tempo procurando-os, desde que percebera que eles haviam ressurgido.
Explicou também que após sobreviver ao ataque (e achar que era o único sobrevivente), ele fora levado para um laboratório, onde experimentos haviam sido feitos com ele para tentar ampliar e controlar seus poderes – de se ocultar de equipamentos de detecção, como sensores, câmeras e radares. O que os cientistas não esperavam, é que, após anos fazendo testes para ampliar seus poderes de furtividade, ele simplesmente desapareceu.
A surpresa lhe deu tempo de escapar, e ele passou os meses seguintes investigando o NDMH, até chegar até Garrison Shiff. Chacal retrucou que eles iriam pegar o desgraçado por tê-los traído, e foi aí que Jeremy explicou que Garrison era uma vítima como eles. Ele descobrira que fora ordenado a Garrison preparar a emboscada, mas ele se recusara, e acabara ele próprio capturado.
Jeremy chegara a descobrir um laboratório onde Garrison era mantido, semi-sedado, com consciência de tudo o que acontecia a seu redor, mas incapaz de agir, apenas para que eles usassem algum tipo de indução bioquímica para induzir os clones dele e manda-los para executar tarefas. Quando Jeremy se organizara e voltara para libertá-lo, contudo, aquele entreposto houvera sido abandonado.
Atordoado pela notícia – o homem que ele odiara esse tempo todo era uma vítima como ele – Chacal ficou surpreso ao escutar de Jeremy o nome do homem por trás do NDMH, um homem identificado pela mídia recentemente como um arkeonte, e um manipulador que estimulara a América para uma guerra sem precedentes: Warlord, o filho de Ares.
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Chicago, 28 de abril de 2032

Em parte, ela quisera se afastar para não expor sua identidade. Em parte, era verdade que ela tinha de voltar a suas aulas, para que não fosse notada uma longa ausência. Em parte, esse era um excelente momento para a civil desconhecida sair de cena e ela passar a atuar apenas como Djinn. Mas a verdade é que o coração de Scheherazade estava profundamente entristecido.
Ela soubera da morte de seu tio e, apesar de todos os seus malfeitos, de todas as mortes com as quais ele colaborara, ela inda tinha alguma esperança de ajuda-lo a se arrepender, a se redimir. Ela sentia que havia falhado com ele, consigo mesma.
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Chicago, 18 de abril de 2032

“Tenha em mente que viver múltiplas vidas da forma como o fazemos muitas vezes apresenta complicações quando queremos transferir recursos de uma vida para outra. Nunca sabemos onde vamos reencarnar. Foi por essa razão que eu não a movi muito ao longo dos séculos, preferindo deixa-la escondida num mesmo lugar por muitas vidas.”
Pattmah explicava enquanto entravam numa câmara escondida no apartamento onde ele morava.
“Mas enfim, chegou a hora de trazê-la de volta.”
A Armadura de Onyx. Coberta por uma camada de escamas de pedra tratadas por um processo há muito perdido, abençoada pelo poder do próprio Siddharta, acompanhada por um par de espadas de fio impecável e outro par de espadas articuladas, que lembravam afiados chicotes negros. A obra prima dos armeiros de seu tempo e região. Pattmah fora reconhecido e temido como um dos maiores guerreiros do mundo quando a vestia. Além das capacidades físicas, ela também tinha a propriedade de ampliar em muito as defesas mentais do usuário.
“Quando eu a usar novamente, será o momento de nos separarmos.”
“Não entendo.”
“Assim meu mestre me disse. Que eu lhe encontraria, lhe passaria o que aprendi, e ajudaria a se preparar para o que há por vir, mas que em seguida eu deveria vesti-la outra vez, para seguir minha última missão, de ajudar outra pessoa. Eu ainda não sei qual essa missão, mas sinto que muito do que eu posso lhe ensinar você já está aprendendo, ou relembrando.”
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Arredores de Chicago, 4 de maio de 2032

Chacal os chamara, trazendo uma série de informações que o homem que ele chamava de Stealth sobre as ações e sobre o responsável por muitos daqueles laboratórios. A investigadora Nina Vasquez trouxera mais informações, conseguidas com um contato dentro da polícia. Por fim, após eles cruzaram informações e chegarem ao local em que Warlord mantinha Garrison Shiff prisioneiro – e talvez onde ele próprio se escondesse.
As forças oficiais estavam ainda por demais desestruturadas. A Justiça Suprema estava ainda se formando, e eles não tinham como contatá-los, então cabia a eles agir. Golden Boy, Christopher Fate (agora como Onyx), Chacal, Stealth, Bleach, Shadow, Djinn e Nina Vasquez adentraram o prédio, aparentemente abandonado.
Logo na entrada, os sensores de Shadow, apesar de ainda não estarem completamente operacionais, perceberam que alguns circuitos de alimentação elétrica estavam operando. Chacal pôde, vendo através da tubulação, acompanhar a direção em que iam os circuitos ativos, que levavam a uma seção no fundo da instalação.
Era noite, e a luminosidade da lua adentrava pela claraboia enquanto eles se esgueiravam para entrar silenciosamente. As luzes então se acenderam e o som de palmas solitárias foi escutado.
“Sejam bem vindos.” O homem alto e imponente olhava para eles com um expressão irônica. “Eu já os esperava, cedo ou tarde. Robert, finalmente posso conhece-lo. Que pena que Hellen não pôde vir. Problemas de temperamento, ainda? Vocês nos pegaram de saída, contudo. Como vocês devem saber, não somos mais tão bem vindos aqui, e teremos que mudar de base por um tempo”
Chacal reconheceu o homem como Warlord, que até pouco tempo liderara o esforço de guerra americano no Oriente Médio, inclusive a Aliança Suprema. Correndo os olhos pelo local, era possível ver Garrison Shiff preso a uma maca, ligado a equipamentos e sedado.
Ao lado de Warlord, alguns meta-humanos, todos ex-criminosos militares: Edmond Mackenzie (aka Napalm), Thomas Orson Tyler (aka E.M.), Richard Walsh (aka Battalion) e Theodore Riddick (aka Morloch). Cada um altamente perigoso, cada um mais que capaz de matar todos eles ali.
“Sabe, Robert, quando você se recusou a cumprir uma missão há uns anos atrás, eu imaginei que você não tinha o que era necessário para ser um dos meus herdeiros. Fico feliz em perceber que eu errei naquela época. Você não só sobreviveu como chegou até aqui. Quando meu pessoal encontrou você tentando voltar para casa, eu fiquei realmente curioso em ver como você iria se virar, então providenciei que você fosse trazido por uma “Aliança Suprema secreta”, para agir como um fantasma, e você se saiu muito bem. Talvez, de todos os seus irmãos, seja você o soldado que eu estava procurando, mesmo tendo sido o único cujos poderes nós não ampliamos.
Veja Garrison aqui, ele poderia ter um futuro brilhante ao meu lado, mas se recusou a colaborar, se recusou a aceitar seu papel. De qualquer forma, graças a nosso equipamento, ele tem fornecido lacaios bem úteis. Pena que não poderemos levar ele conosco.”
Acionando um botão, uma massa brotou do peito de Garrison, caindo no chão e formando uma versão brutamontes deste.
“E você, meu caro Jake” – falava se dirigindo a Shadow – “você é uma grande surpresa. Você não é como Robert ou os irmãos dele. Você era completamente humano, nasceu sem nenhuma vantagem, mas você dá crédito a sua espécie. Sua tenacidade o fez sobreviver até aqui, sobreviver aos implantes que colocamos em você, e usá-los em sua máxima capacidade. Mesmo ferido e danificado, você está aqui, pronto para a batalha. Eu poderia usar alguém como você.
“Eis a minha proposta: venham comigo. Robert, você pode até mesmo vir a ser meu herdeiro, se continuar progredindo assim. Nós podemos ampliar seus poderes, e você será um atirador ainda mais formidável, além de podermos providenciar armas melhores. Você pode trazer Jeremy, Alek ou Hellen, se você quiser. E Jake, venha conosco. Soldados como você sempre serão úteis. Eu posso providenciar para que seus equipamentos sejam reparados e aprimorados. Você se tornará melhor do que jamais sonhou conseguir.”
“Eu serei melhor do que jamais sonhei, mas não graças a você. Eu não serei sua arma.” – Shadow retrucou, visivelmente irritado. Chacal também respondeu com aspereza “Se você acha que eu, que algum de nós que você traiu vai se juntar a você, “pai”, então realmente é tão louco quanto todas as notícias falam.”
“É uma pena. Bom para os demais, serve o mesmo convite. Nãoi conheço todos vocês, mas estou certo que alguns devem ter poten…” – nesse instante ele corria os olhos pelo grupo, e seu olhar se cruzou com o de Golden Boy. Durou uma fração de instantes, mas era como se duas forças diametralmente opostas se chocassem. Era possível sentir a tensão no ar e a raiva crescendo em Warlord. “Você!?! Nós achávamos que estivesse morto! Como?!”
“Pelo visto, você estava errado nisso também, como em tudo o mais.” – Neal respondeu em tom jocoso. “E eu acho que ninguém que veio aqui detê-lo vai repentinamente descobrir que o sonho da vida é passar o resto dela a seu lado… numa cela.”
“Me deter?! Como vocês esperam me deter? Cada um de nós pode matar vocês todos mil vezes. Vocês irão morrer aqui e agora.”
“Talvez, mas um amigo meu fala uma coisa muito interessante sobre isso:
NÓS SOMOS MUITOS!”
Nesse instante, a claraboia se quebrou, assim como a parede de um dos lados do grande galpão. Invadindo o local, os reforços, uma legião de heróis e vigilantes, de variados níveis de poder: Yokozuna, Ironpunch, Wishing Joe, Hoverboard, Jeffrey e Jennifer Lang (os Switch Twins), Hellwrath (como Hellen pedia para ser chamada), Cantrip, Wind Barrier, o policial James “Indomitable” Willians e o shamam Iroquoi Erik Sky Hawk. Arsenal e Thrust não puderam ser contatados, mas ainda assim eles haviam em poucas horas conseguido reunir uma equipe considerável. Wishing Joe usara seus contatos para conseguir o máximo de reforços possível.
Warlord partiu para cima de Golden Boy, sendo interceptado por Yokozuna. Ele olhou com certa confusão para o sumotori: “Você está do lado deles?! Desses vermes?!” Com um safanão, ele o afastou. Sua força parecia ser tremenda, como se ele se alimentasse do caos e da guerra que ele havia fomentado. Hellwrath, já transformada, se colocou em sua frente, ao lado de Golden Boy, e sua ira podia ser sentida.
“Hora de um ajuste de contas, ‘papai’”
Onyx correu para junto de Yokozuna. A observação de Warlord apenas confirmara a impressão que ele tivera ao conhecer Yokozuna naquela tarde. Aquela era a missão que ele tinha de cumprir. Enquanto o ajudava a se levantar, ele alcançou alguns pontos de pressão, conforme seu mestre lhe havia ensinado.
Enquanto isso, Ironpunch, auxiliado por Cantrip, enfrentava o clone brutal de Garrison Shiff. A luta era desigual, mas a criatura era bastante simplória, o que lhes dava a chance de usar de astúcia contra ela.
Shadow, Bleach e Djinn enfrentavam uma avalanche de cópias psiônicas criadas por Battalion. Eles compensavam a minoria numérica com ações rápidas e golpes e tiros precisos, ou no caso de Djinn, com seu poder de ficar imaterial.
Nina, James e Sky Hawk lutavam contra o monstruoso Morloch e seus poderes místicos. Quando as garras do servo dos espíritos do mal estavam para alcançar a jovem investigadora, este foi surpreso ao ver que os tiros de James o haviam ferido. “Como?!” ele urrava. “Meus ancestrais já caçavam fantasmas e monstros como você em nome da lei desde o velho oeste. Eu estou apenas seguindo a tradição.” Era possível a Nina, com seus sentidos, perceber uma poderosa aura mística na pistola que James empunhava.
Hoverboard, Wind Barrier e Chacal enfrentavam o enlouquecido E.M. e seus poderes eletromagnéticos. Os disparos deles pareciam ser todos detidos pelo campo de força do oponente, mas ainda assim eles seguiam se defendendo e tentando encontrar uma brecha em sua defesa.
Wishing Joe e os Switch Twins, apesar de seriamente em desvantagens, seguiam enfrentando o terrorista Napalm e seus jatos de chamas líquidas. Joe havia providenciado um escudo temporário de ar gelado, e os gêmeos, com seu teleporte e coordenação, conseguiam desequilibrar o adversário.
Alheio à batalha, Stealth seguira para tentar libertar Garrison Shiff dos equipamentos. Invisível a todos, ele ia desligando e sabotando os aparelhos, na esperança de reduzir a força inimiga – tirando o clone brutal de cena – e salvar seu amigo.
A luta contra Warlord era extremamente difícil. Mesmo Hellwrath não conseguia enfrentar a imensa força que ele demonstrava, e ele acabou por arremessa-la através da parede. Sozinho contra um oponente a quem seuys golpes pouco afetavam, Golden Boy se via em desvantagem.
E então uma massa descomunal atingiu Warlord lançando-o longe. Yokozuna estava diferente de instantes antes. Ele lembrava. Lembrava de tudo. Sua força voltara, todo o poder que tiver, talvez até mais. Porque agora ele era alguém melhor.
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Planícies da Índia, século VI A.C.
Ele vagou por muito tempo para chegar até ali. O homem que ali vivia, diziam, era extremamente sábio, e poderia ajuda-lo a se tornar uma pessoa melhor. Siddharta, diziam, era o mais sábio e iluminado humano a este mundo ter produzido.
Sarutahiko, que alguns chamavam de Ōkami, buscava por ele, e por redenção. Como um arkeonte puro, mesmo um nascido na Terra após a chegada de seu povo, ele reinara sobre uma região no estremo leste. Ele tentara ser um rei, se não bom, ao menos justo. E falhara miseravelmente.
Ele ainda buscava a veneração dos humanos. Ainda os considerav a inferiores. Ainda explodia em fúria e orgulho contra uma contestação, destruindo uma vila inteira. A visão de uma pequena criança, última sobrevivente, tentando tirar o corpo da mãe dos escombros de seu destempero, o enchera de vergonha.
Por isso ele buscara o sábio que os humanos chamavam de O Buddha. Talvez ele tivesse um conselho para ele, um caminho para se redimir. Para ser alguém melhor.
Siddharta escutou seu relato, se solidarizou com seu desespero, se dispôs a guia-lo.
‘Você começa a perceber o que venho dizendo já há algum tempo. Você e os seus, deva, kami, como quer que vocês se chamem, vocês tem poderes formidáveis, mas não são deuses, não estão acima dos mortais, não são infalíveis. Mas a percepção de sua própria limitação o engrandece. Eu vou ajuda-lo a ter uma nova vida, longe desta no tempo e no espaço. Você renascera em uma nova era, e será criado na linhagem daqueles que você ofendeu, apenas para perceber o mundo deles, e se tornar melhor, mais digno de defende-los.’

Yokozuna agora lembrava e compreendia. Ele era Sarutahiko Ōkami, kami da Terra, criador do Sumô, renascido na linhagem daquela pequena criança que sobrevivera. Ele ainda era um arkeonte puro, mas era agora muito mais que isso, porque fora criado com os humanos, entendera sua vida, sua fragilidade e sua força. E ele iria defende-los!
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Arredores de Chicago, 4 de maio de 2032

Um surpreso Warlord encarava Yokozuna, se interpondo em seu caminho e sendo capaz de confrontar sua força. Ao seu lado, Christopher sacava suas espadas, e Warlord reconhecia, apesar dos séculos já passados, o lendário Guerreiro de Onyx.
Aproveitando a distração, Golden boy se deslocava para ajudar Wishing Joe e os gêmeos, que estavam em cada vez maior desvantagem. Aumentando os números, eles seguiam desviando dos ataques de Napalm e tentando atingi-lo com golpes, apesar de ser quase impossível se aproximar.
A luta também não ia bem para Wind Barrier e Chacal. Hoverboard fora arremessado janela afora por E.M., e ainda não havia voltado, gerando preocupação com seu estado. A desvantagem parecia somente se intensificar quando Ironpunch e Cantrip entraram na batalha. Stealth havia considerado desativar as máquinas que controlavam Garrison, e o clone havia se desfeito, liberando-os para ajudar os demais.
Shadow, Bleach e Djinn lutavam no limite de sua velocidade, derrubando cópia atrás de cópia, mas ainda assim tendo dificuldades. Bleach tentou acionar seu poder através de sua arma especial, para desintegrar muitos oponentes com uma rajada, mas algo deu errado. Seu poder parecia estar se voltando contra ele, como se as energias interdimensionais que ele usava o estivessem arrastando. Ele se sentia desaparecer, ser drenado, e a dor o consumia. Shadow, percebendo que ele não conseguia lutar, redobrava seus esforços, enfrentando todas as cópias. Djinn, achando ser algum tipo de ataque, tentou alcança-lo e torna-lo imaterial com ela, mas os dois acabaram formando um elo mental e sendo dragados por aquela força, desaparecendo completamente. Sem saber o que acontecera, Shadow não tinha tempo para se preocupar com os amigos, pois agora ele tinha uma luta a vencer sozinho.
No front místico da batalha, as dificuldades não eram menores. Ciente de que sua pele podia ser ferida pela arma de James, Morloch concentrava seus esforços de ataque contra ele, que acabava tendo de se concentrar na defensiva, enquanto Nina e Sky Hawk, já transformado em seu totem Falcão, tentavam encontrar uma abertura para atacar.
A luta contra Napalm, contudo, parecia ter-se invertido. Apesar do adversário mais poderoso, a proteção que Wishing Joe estava criando era suficiente para que os gêmeos, coordenados entre si e agora também com Golden Boy, conseguissem atingir uma sequência de golpes no adversário. Irritado, o vilão incendiário se descuidou e foi derrubado por uma sequência bem cronometrada de ataques sincronizados por teleporte.
Quando eles acharam que a batalha estava ganha, contudo, Edmond Mackenzie urrou de ódio e uma explosão de ar quente emanou do seu corpo, derrubando os quatro e desfazendo a névoa gélida de Wishing Joe. Ele se voltou para Golden Boy e Jennifer Lang, que haviam caído juntos e que tinham sido os responsáveis por derrubá-lo, e eles puderam ver seu ódio fanático se materializando em uma rajada de fogo líquido contra o que eles não teriam como sobreviver.
Tudo durou uma fração de segundo. Os olhares de Jennifer e Jeffrey se cruzaram, ele viu que ela estava em contato com Golden Boy, e ela entendeu o que ele iria fazer, suplicando em sua alma para que não fizesse.
A rajada de fogo encontrou não dois, mas um corpo apenas. Usando o dom que eles tinham de trocar de lugar através de teleporte, Jeffrey assumiu o lugar de sua irmã e Golden Boy, sendo completamente incinerado.
“JEFFREY! NÃO!!!”
“Não não não não NÃO!” Wishing Joe caiu de joelhos ao ver o jovem corpo carbonizado no chão. Ele convocara cada um deles ali. Ele trouxera aquele jovem para sua morte. Ele selara seu destino. Não, não fora ele.
“Monstro… monstros como você…” – era visível sua raiva. Nunca Neal vira o poder de Joe se manifestar tão fortemente. Uma aura azul-prateada o recobria, seus olhos pareciam vibrar de energia. “… não merece viver.”
“EU DESEJO QUE VOCÊ MORRA!”
E assim foi. Os conflitos pararam por um instante. Talvez pelo grito cheio de ódio que reverberou no local. Talvez pela explosão de energia que eclodia do corpo de Wishing Joe. Talvez pelo fato de que, sem maiores reações, o corpo de Edmond Mackenzie, Napalm, tombou morto no mesmo instante. Ou talvez, como Neal notou, pela estrela cadente que cortou o céu quando o poderoso desejo de Wishing Joe se realizou.
Joe caiu de joelhos, exausto física e emocionalmente, mas quem visse seu rosto perceberia um misto de tristeza e descoberta. Warlord e seus comparsas aproveitaram a interrupção para escapar, receosos que aqueles poderes ali reunidos fossem, de fato, capazes de subjuga-los. Jennifer chorava seu irmão, e Shadow, confuso, buscava algum sinal de Bleach ou Djinn.
Hoverboard voltava, ferido e com uma perna quebrada, e Hellen, revertida a sua forma normal, também entrava de novamente no salão. Stealth ajudava Garrison, que começava a acordar, a sair da maca onde estava preso.
“Joe” – Golden Boy falava – “O que foi aquilo?”
“Aquilo foi o verdadeiro eu. Eu agora me lembro quem eu fui, e percebo a extensão e as consequências de meu poder. Eu… preciso ir embora, antes que eu perca o controle. Houve alguém que poderia me ajudar a entender. Meu melhor amigo… ele está morto há décadas. Mas talvez, se eu for para o lugar de onde ele veio, eu possa encontrar lembranças suficientes dele para me aconselhar.”
“Do que você está falando? Onde é isso?”
“Um lugar muito longe… e muito frio. Muito além deste mundo.”
“Mas Joe, algo muito ruim está por vir. Nós precisamos de você aqui.”
“Não, garoto. Algo ruim está por vir e eu não quero ser o causador. E este nosso mundo precisa de VOCÊ aqui. Muita gente se esforçou para que você estivesse aqui hoje. Eu agora percebo. Você é aquela criança.”
Após dizer isso, ele foi envolvido por um globo de energia, e partiu muito rapidamente em direção aos céus. Os demais começaram a se dispersar, ainda sem encontrar vestígios de Bleach e Djinn. A batalha fora ganha, mas o preço havia sido alto.
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Chicago, 8 de maio de 2032

Neal preparava suas coisas para viajar ao Brasil em busca do professor Oliveira. Ele tivera que contar a seus pais seu segredo, sua vida como Golden Boy, e, principalmente, quem ele realmente era: o Buddha. Para sua surpresa, eles não haviam surtado.
Contaram como haviam sido recusados para a adoção, apenas para, no dia seguinte, serem miraculosamente chamados de volta, sob a explicação que houvera um erro, e que eles haviam optado por adotar ele porque era uma criança que também tinha chegado ao orfanato naquela noite, abandonado na porta sem bilhete ou vestígio.
Disseram que ele sempre fora para eles seu pequeno milagre, e agora eles percebiam quão grande aquele milagre era. Eles temiam por ele, claro, temiam que ele se ferisse, mas não podiam impedi-lo de crescer ou de seguir seu caminho. Assim, eles pediram apenas que tomasse cuidado.
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Chicago, 9 de maio de 2032

Não havia sido tão difícil resgatar Alek, usando os talentos de Jeremy. Enfim, eles estavam reunidos outra vez, a velha brigada. Um dos clones de Garrison, um que ele agora conseguia criar, “Gênio”, era bastante competente com equipamentos e tecnologia, e fizera os reparos nos implantes biônicos de Alek, e ele já podia voltar à ação.
De fato, eles haviam discutido sobre o assunto. Chacal, Garrison, Hellen, Alek e Jeremy, eles eram ainda, todos, dados como mortos. Fantasmas. Por que não agir nesse mundo, ajudando as pessoas nos bastidores, atuando de forma cirúrgica, não em nome de um exército ou uma nação, mas em nome dos que precisavam.
Chacal até mesmo sugerira um nome, que representava o que eles agora eram: A Brigada Fantasma.
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Chicago, 9 de maio de 2032

“Sr. Sanders. Seja bem vindo. O Tenente Willians falou que o senhor teria interesse em trabalhar conosco.”
“Eu quero entender o que vocês fazem aqui, e ver se posso me encaixar contribuir.”
“Tenho certeza que o senhor pode muito mais que isso, Sr. Sanders. O Tenente Willians falou muito bem do senhor. Entenda, até eventos recentes, pessoas com poderes, nascidos ou adquiridos, eram – e ainda são, em muitos lugares – tratadas como armas. Até a forma de se referir a elas demonstrava isso: Indivíduos de Destruição em Massa. Aqui nossa filosoia é outra. Nós fazemos parte do início de um esforço supranacional para integrar os Indivíduos Extraordinários à sociedade, fazendo-os parte da solução, e não do problema. Nós trabalhamos com indivíduos com poderes e sem poderes, e pretendemos em breve começar a operar no combate a crime e terrorismo internacional, bem como na proteção da população em geral.”
“E quem são vocês, afinal?”
“Nós estamos nascendo ligados à assembleia geral das Nações Unidas, ou o que ela se tornar, nas próximas semanas. Nós somos a Extraordinary Individuals Enforcement Agency, a E.I.E.”
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Chicago, 10 de maio de 2032

Akebono olhava da varanda de seu apartamento. Ele agora lembrava quem era. Mais que isso, tinha um propósito. Proteger e ajudar essas pessoas, esse mundo. Ele partiria logo cedo para a costa oeste. Muita destruição ocorrera lá, e alguém com sua força certamente seria de grande ajuda nos resgate e na reconstrução.
Ironpunch dissera que o acompanharia. Ele se considerava em débito, e também queria mudar de ares, para deixar velhos hábitos – de buscar glória pessoal – para trás.
“Segundas chances”, Akebono pensava. Ele ponderava que agora, mais humano que nunca, ele poderia ser um arkeonte ainda melhor.
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Chicago, 10 de maio de 2032

Ela não arriscaria dizer ainda que ela e o irmão eram amigos, mas Nina sabia que uma grande barreira tinha sido quebrada entre eles. Família, ela pensava, era algo que não tivera desde a morte de sua mãe. Se ela pudesse ao menos refazer algumas pontes, não estaria sozinha.
James parecia começar a confiar nela. Ele dissera que, caso precisasse de ajuda em outro caso sobrenatural, sabia onde encontra-lo. Afinal, esses eram os “negócios da família”.
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Local desconhecido, 5 de maio de 2032

A paisagem era estranha. Lembrava a cidade de New York, porém devastada, e o céu estava tingido de vermelho. Criatura estranhas, demoníacas e algumas cheias de implantes cibernéticos, podiam ser vistas voando ao longe.
Djinn estava assustada com tudo aquilo, e Bleach ainda estava inconsciente devido ao transporte interdimensional.
Um grupo se aproximou, talvez uns quatro ou cinco. Todos usando máscaras para proteger o rosto da poeira. Ela se reparou para um combate, mas o homem que parecia liderar o grupo tirou a máscara. E olhou para Bleach.
“Eu tenho certeza. Ele é um deles. Mas… esse parece diferente. Talvez ainda dê para fazer algo.” – ele falava para os demais.
“Quem é você? Quem são vocês?”
“Calma, moça. Pelo que pude perceber, você foram arrastados para cá, como alguns como ele foram antes.” Ele falava apontando para Bleach. “Vocês não estão no seu mundo, se me permite colocar as coisas assim. Meu nome é Alexander Tanus, e nós somos o que restou da Justiça.”

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